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Município denuncia contrato de arrendamento com ‘call center’ para instalar Departamento de Fiscalização e Segurança

A decisão do Município de Fafe de denunciar o contrato de arrendamento do edifício municipal da Rua Amália Rodrigues, atualmente ocupado pela empresa Intelcia, com serviço de call center, marcou a última reunião do executivo municipal, com a oposição PSD e Chega a solicitar esclarecimentos.

Em causa está a intenção da autarquia de instalar naquele espaço o recém criado Departamento de Fiscalização e Segurança, onde se inclui a Polícia Municipal, a Proteção Civil e a Vigilância Ambiental.

Clara Paredes de Castro, vereadora do PSD, começou por lembrar que se trata de “uma empresa instalada há cerca de 10 anos em Fafe, responsável por aproximadamente 200 postos de trabalho e cuja instalação contou com investimento público para atrair emprego e dinamizar a economia local”. “Que confiança podemos dar às empresas para investir em Fafe, se passado uma década compromissos possam ser revertidos?”, questionou, apontando para as consequências que a decisão possa ter na estabilidade dos trabalhadores e na dinâmica da economia local.

A vereadora social-democrata criticou ainda o que considera ser “um padrão de atuação que denota improvisão, ausência de visão e planeamento, e que vai ter consequências reais”, apontando o dedo a mudanças sucessivas de localização de diferentes serviços: “A instalação justifica uma infraestrutura desta dimensão? Qual o plano para a Escola do Santo, que estava destinada à Junta de Freguesia, que foi deslocalizada, e afinal a Proteção Civil vai sair dali? Andamos a saltar de localizações sem perceber o que se decide hoje ou amanhã”.

Antero Barbosa, presidente da Câmara de Fafe, rejeitou críticas à falta de planeamento, explicando que a decisão resulta da necessidade de dotar a Polícia Municipal e os serviços de Proteção Civil de instalações com melhores condições.

“Atualmente, a Polícia Municipal não dispõe de condições de dignidade”, referiu, acrescentando que o edifício em causa reúne as características necessárias para acolher o novo departamento, incluindo espaços de formação e valências operacionais.

O autarca esclareceu que o contrato com a empresa foi, desde 2021, renovado anualmente, e não por um período de 5 anos como no primeiro contrato, prevendo já “a circunstância de vir a terminar”. “O compromisso nunca foi ad eternum”, afirmou, sublinhando também a mudança de empresa, que já não era a mesma.

O edil garantiu que o município tem mantido diálogo com a administração da empresa e que foi concedido um prazo de 180 dias — superior aos 90 dias legalmente exigidos — para a desocupação do espaço. “Estamos disponíveis para prolongar esse prazo, se necessário, até que seja encontrada uma solução”, assegurou.

Segundo Antero Barbosa, a autarquia tem colaborado na procura de alternativas, tendo inclusive sugerido um espaço com a dimensão e características para a instalação da empresa, que continua a avaliar opções. Quanto à Escola do Santo, que acolhe o sub-comando regional da Proteção Civil, deu nota que o Governo se prepara para terminar com essa organização, voltando à direção distrital, o que altera o planeamento feito.

Apesar das críticas, reiterou que não está em causa qualquer quebra de compromisso com a empresa e que irão dar o seu “contributo para um bom desfecho”.

Também o PCP fez saber que irá questionar a autarquia, na próxima assembleia municipal, lembrando que desde 2015 se manifestou contra a cedência daquele edifício a multinacionais, que, consideram, “não necessitavam dessa ajuda”. Ainda assim, manifestam preocupação com o impacto desta decisão na economia e manutenção dos postos de trabalho, garantindo acompanhar de perto o processo.

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