O Teatro Cinema de Fafe foi palco, na sexta-feira, da segunda sessão das II Conferências de Fafe, sob o tema «Portugal: Que Ambição?», tendo como convidado José Luís Carneiro, deputado à Assembleia da República e secretário-geral do Partido Socialista.
Numa sessão marcada pela reflexão e pelo debate, José Luís Carneiro abordou alguns dos principais desafios nacionais, destacando a importância do diálogo democrático, da responsabilidade política e da definição de estratégias para o futuro do país.
“Vivemos tempos em que é preciso ter coragem para tomarmos decisões maduras“, afirmou, sublinhando que “é vital o diálogo democrático e não há sociedades nem partidos perfeitos”.
Ao longo da sua intervenção, destacou questões como a sustentabilidade das pensões, a necessidade de uma reforma no Serviço Nacional de Saúde, o acesso dos jovens ao ensino superior e uma nova política da habitação, assunto que está a marcar a ordem do dia, defendendo uma estratégia articulada em três frentes: uma política de solos, uma política fiscal adequada e a construção de habitação acessível.
Abordou ainda a importância de valorizar a posição estratégica de Portugal no Atlântico, reforçar as relações internacionais, promover a competitividade das empresas, desenvolver os territórios do interior e potenciar a economia do mar.
Por fim, José Luís Carneiro saudou a iniciativa das Conferências de Fafe, defendendo que os cidadãos devem envolver-se na vida política e pública.
“Precisamos mais desta cidadania, que participa, que se vem informar e esclarecer, que contesta e que critica, porque é isso que permite um escrutínio permanente e que os políticos também se procurem preparar melhor para o desempenho das suas funções”, afirmou.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara de Fafe, Antero Barbosa, reafirmou a ambição de consolidar Fafe como um espaço de reflexão e debate de dimensão nacional, aproximando os cidadãos dos grandes temas que marcam o presente e o futuro de Portugal.
Sublinhando que vivemos tempos de incerteza, disse ser necessário “dar ouvidos a outras vozes e apurar o espírito crítico“, contribuindo para o que considera dever ser, inspirado no filósofo Edgar Morin, o objetivo das políticas: “servir o progresso e aspirar a humanidade”.

Por sua vez, Luís Marques Mendes voltou a felicitar o município pela iniciativa e destacou o valor democrático de reunir diferentes perspetivas políticas, recordando que, depois da participação do primeiro-ministro Luís Montenegro na sessão inaugural, foi agora a vez de ouvir o líder da oposição.
Luís Marques Mendes enalteceu a iniciativa por permitir “fazer uma pausa no frenesim do quotidiano para refletir em voz alta, com serenidade“, sublinhando a “necessidade de avaliar ideias, escrutinar propostas e debater estratégias diferentes em relação ao futuro, sem limitações e constrangimentos”.
“Fafe dá assim um contributo genuíno para melhor a qualidade da democracia“, concluiu.
As II Conferências de Fafe prosseguem a 28 de novembro, com o cardeal, poeta e teólogo José Tolentino de Mendonça, mantendo-se a moderação a cargo de Luís Marques Mendes.

Luís Montenegro abriu as II Conferências de Fafe sob o mote “Portugal: Que ambição?”


