A Comissão Concelhia de Fafe do Partido Comunista Português (PCP) reagiu à visita do primeiro-ministro, Luís Montenegro, a Fafe, para a inauguração da nova Loja do Cidadão, considerando que esta não deve desviar a atenção dos problemas que continuam a afetar a população do concelho, nomeadamente nas áreas da saúde, justiça, serviços públicos e transportes.
Em comunicado, o PCP afirma esperar que a nova Loja do Cidadão tenha “um impacto positivo no acesso dos fafenses aos serviços públicos e promover um melhor relacionamento dos cidadãos de Fafe com a Administração Pública”, mas considera que a sua criação, por si só, não garante uma melhoria do atendimento, acesso ou qualidade desses serviços.
Para os comunistas, a falta de trabalhadores em diversas destas áreas é resultado de políticas de “desinvestimento nos serviços públicos”, defendendo a valorização dos serviços e dos seus profissionais, bem como a melhoria das condições e dos meios disponíveis.
“A presença do Primeiro-Ministro nesta inauguração pretende branquear as políticas desenvolvidas pelo Governo que agravam as condições de vida da população, piorando efetivamente o acesso a serviços públicos essenciais, desde o SNS, aos tribunais, passando pela educação e segurança social”, criticam.
A Comissão Concelhia do PCP aproveita a presença de Luís Montenegro para elencar um conjunto de problemas que considera prioritários no concelho, nomeadamente a necessidade de um novo hospital do Serviço Nacional de Saúde, a melhoria das condições do Tribunal de Fafe e o reforço urgente do número de funcionários judiciais e do serviço de Finanças.
Na área dos transportes, o PCP reclama a inclusão de Fafe no Plano Ferroviário Nacional, através de uma ligação ferroviária ao concelho, anotando ainda que “nem para a via dedicada de autocarro rápido, alegadamente prevista entre Fafe e Guimarães, se conhecem prazos para a sua execução”.
As críticas estendem-se também ao executivo municipal, com o PCP a considerar que o presidente da câmara poderia ter aproveitado a visita do primeiro-ministro para mostrar o estado do edifício centenário situado junto ao Centro de Emprego, defendendo a necessidade da sua recuperação.
A Comissão Concelhia do PCP recorda ainda a posição que assumiu na Assembleia Municipal relativamente à aquisição e adaptação do espaço onde funciona a nova Loja do Cidadão, votando contra a autorização de um empréstimo de dois milhões de euros destinado à aquisição e adaptação do piso térreo do edifício do Royal Center.
O PCP considera que poderiam ter sido equacionados outros edifícios públicos municipais para acolher a Loja do Cidadão, apontando como exemplos a antiga Escola do Santo e o antigo Mercado Municipal, ambos localizados no centro da cidade e com facilidade de estacionamento.
“Pode o Governo cortar fitas e dizer que vamos bem. Não pode é dizer que estão a resolver os problemas reais da população”, concluem.


