A Associação de Modalidades Amadoras de Fafe (AMAF) afirmou não dispor de “elementos concretos e suficientes” que permitam identificar alegados autores de alegados insultos racistas, que terão levado a Associação Desportiva e Cultural de São Clemente a abandonar o jogo frente ao Juvetrava Sport Clube, disputado no sábado, a contar para a 21ª jornada da Liga de Futebol de 11.
Em comunicado, a direção da AMAF reafirma o seu compromisso no combate ao racismo, à xenofobia e a qualquer forma de discriminação, mas esclarece que, após analisar os elementos remetidos, bem como os relatórios e restante documentação oficial do encontro, não encontrou provas que sustentem uma eventual decisão disciplinar.
“A AMAF não decide com base em rumores, pressões públicas, publicações nas redes sociais ou acusações genéricas. A gravidade de uma acusação não dispensa prova. Exige-a“, refere a associação, acrescentando ainda que não lhe foi dado conhecimento da apresentação de qualquer participação junto das autoridades competentes relativamente aos factos alegados.
“A atuação da AMAF desenvolve-se no âmbito das suas competências desportivas, associativas e disciplinares. Sempre que estejam em causa factos de especial gravidade ou com eventual relevância criminal, a sua apreciação plena exige também o recurso aos mecanismos legais próprios, junto das autoridades competentes, por parte de quem tenha conhecimento direto desses factos”, anotam.
No comunicado divulgado, a direção do Juvetrava considera que as acusações são “suposições infundadas e carentes de provas”, garantindo que continuará focada nos objetivos desportivos da equipa numa fase decisiva da competição relativamente ao título de campeão.
O caso motivou ainda uma tomada de posição da Comissão Concelhia de Fafe do Partido Comunista Português (PCP), que manifestou o seu repúdio face a alegados atos racistas ocorridos durante o encontro.
Em nota de imprensa, os comunistas consideram que a decisão da ADC São Clemente de abandonar o jogo constituiu uma “tomada de posição legítima e corajosa”, defendendo que o racismo não pode ter lugar na sociedade nem no desporto. O PCP apelou ainda a uma “intervenção determinada” por parte das entidades organizadoras e à adoção de medidas disciplinares e pedagógicas adequadas.
A AMAF, por sua vez, garante que continuará a atuar com “responsabilidade, independência e respeito pelos regulamentos aplicáveis”, sublinhando que “a defesa da dignidade no desporto exige responsabilidade de todos: de quem organiza, de quem participa, de quem acusa e de quem comenta”.


