O orçamento municipal para 2026 foi aprovado pela maioria socialista, com os votos contra da coligação ‘Por Fafe Sempre’ e a abstenção do partido Chega.
A coligação ‘Por Fafe Sempre’ votou contra o orçamento e as grandes opções do plano para 2026, reconhecendo que se trata de um documento “tecnicamente estruturado, que cumpre as regras do equilíbrio financeiro”, que “assegura a gestão corrente, mas não constrói futuro”, nem responde aos desafios estruturais do concelho.
Em declaração de voto, sublinham que um orçamento municipal “não se esgota no rigor contabilístico”, refletindo escolhas políticas, prioridades e uma visão — ou falta dela — para o futuro do concelho.
PSD: Voto contra é “voto de alerta, exigência e responsabilidade”
A coligação constata que há uma “continuidade quase total das opções estratégicas”, face a 2025, “sem uma reorientação que responda aos problemas estruturais” e uma “reflexão crítica sobre o que correu menos bem”. Criticam que grande parte do investimento previsto assente em grandes obras públicas financiadas pelo Estado e por fundos comunitários, tratando-se, em muitos casos, de intervenções que correspondem a competências do Estado central, executadas localmente pelo Município, não resultando de “estratégia autónoma”.
A coligação lamenta ainda que as suas propostas não tenham sido integradas, nomeadamente a criação de um Centro Desportivo de Fafe, a constituição de um Conselho Estratégico de Desenvolvimento Económico, e a implementação de uma linha municipal de teleassistência 24 horas, como resposta a uma população envelhecida e isolada. Na área da saúde criticam a falta de iniciativa direcionada ao hospital, o investimento “desequilibrado” na educação, falta de políticas de apoio à natalidade e habitação descentralizada capaz de revitalizar as freguesias.
O voto contra é assumido como “um voto de alerta, de exigência e de responsabilidade”, sublinhando que não é um voto contra Fafe, mas a favor “de um concelho com mais visão estratégica, mais políticas de proximidade e maior coragem política para enfrentar o futuro”.
Chega reconhece aspetos positivos, mas aponta reservas.
A vereadora do Chega, Daniela Oliveira, anunciou a abstenção na votação do orçamento, classificando esta como uma “posição responsável e construtiva”, que visa não bloquear a atividade municipal, reconhecendo aspetos positivos no documento.
O partido Chega considera que o orçamento revela preocupação com a continuidade dos serviços municipais e com a execução de investimentos relevantes para o concelho, refletindo também “esforço em áreas estruturantes, bem como a tentativa de manter equilíbrio financeiro num contexto exigente para autarquias e munícipes”. No entanto, dizem subsistir “reservas quanto à dimensão da despesa corrente, necessidade de maior rigor na gestão dos recursos públicos e falta de medidas mais claras de apoio fiscal às famílias e pequenos empresários”. Sustentam assim a abstenção, considerando que o orçamento “poderia ir mais longe na definição de prioridades estratégicas, com metas objetivas e mecanismos de avaliação mais transparentes”. Daniela Oliveira garante que o partido irá manter “uma postura de fiscalização exigente ao longo da execução orçamental”.


