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800 000 000 de pobres! Que Natal?!

Como pode ser Natal, se há 800 milhões de pessoas que vivem em condições de pobreza e desumanidade? Como pode ser Natal, se cerca de 10% da população mundial não tem o mínimo para viver? Se um pobre ao lado dum rico é um atentado, 800 milhões de pobres ao nosso lado são outros tantos atentados.

Apesar dos avanços registados ou das notícias recentes que dão conta do recuo da taxa de pobreza, seja em Portugal, seja no mundo, é absolutamente dramático e desconcertante que milhões de pessoas vivam hoje no Planeta para sobreviver também vítimas do distanciamento e da indiferença humanas.

As causas da pobreza e as soluções para a sua erradicação são múltiplas e estão estudadas ao mais alto nível. Mas falta cumpri-las. Seja como for, não podemos ser coniventes com esta situação, muito menos deixar que não nos afete esta triste realidade.

Porque a realidade é dramática deve avivar-se a todos e a cada um a responsabilidade e o compromisso de ser e estar com os pobres.  E tenho para mim que o Natal, na sua comemoração anual, pode e deve ser o laboratório de um mundo novo com os pobres. Quem o diz, doutro modo, é o Papa Leão XIV, na senda do seu antecessor, ao escrever: “não podemos baixar a guarda diante da pobreza” (Dilexi te, 12).

Confesso que me inquietou de sobremaneira aprovocação que nos lançou com a mais recente Exortação ApostólicaDilexi te”, sobre o amor para com os pobres. Nós não podemos fazer de conta que os pobres não existem ou não nos dizem respeito, até porque “o amor pelos pobres é um elemento essencial da história de Deus connosco e irrompe do próprio coração da Igreja como um apelo contínuo ao coração dos cristãos” (DT, 103).

Para um sério exame de consciência, o Santo Padre não deixa de colocar o dedo na ferida, elencando um conjunto de questões cruciais: “Os menos dotados não são seres humanos? Os mais fracos não têm a nossa mesma dignidade? Aqueles que nasceram com menos possibilidades valem menos como seres humanos e devem limitar-se apenas a sobreviver? A resposta que damos a estas perguntas determina o valor das nossas sociedades e dela também depende o nosso futuro: ou reconquistamos a nossa dignidade moral e espiritual ou caímos numa espécie de poço de imundície” (DT, 95).

Para o Pontífice “mesmo correndo o risco de parecer “estúpidos”, é tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha. As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica” (DT, 97).

Não nos toca apenas dar aos pobres o que por direito também lhes pertence.  Temos ainda o dever de não só ouvir os pobres, mas também aprender com eles: “Só comparando as nossas queixas com os seus sofrimentos e privações é possível receber uma repreensão que nos convida a simplificar a vida (DT, 102).

O Natal de Jesus, o Filho de Deus que se fez pobre no meio de nós, nos comprometa com os pobres, todos sem exceção, os que sabemos o nome ou não, mesmo que já lhes tenhamos “atirado” uma esmola, ou os que nunca vimos nem sequer conheceremos.

Na verdade, o amor pelos pobres requer os nossos gestos pessoais, frequentes e sinceros. Façamo-lo neste Natal. Porque “uma Igreja que não colocas limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, é a Igreja de que o mundo precisa” (DT, 119).

Desejo a todos um abençoado Natal com os pobres!

Pe. José António Carneiro

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