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O desporto contra a pandemia

Opinião de Jorge Gomes, Enfermeiro Especialista em Reabilitação e Treinador de Grau I de Karaté.

O impacto positivo da atividade física na qualidade de vida do ser humano é um dado adquirido, não apenas a um nível meramente motor e funcional, mas contribuindo também para um melhor equilíbrio mental e social das populações.

Paradoxalmente, num tempo em que há maior preocupação em desenvolver programas e projetos na área desportiva, comprovamos que o sedentarismo é um grave problema que afeta miúdos e graúdos, num tempo também em que a “prática desportiva passiva” de sofá é incentivada pelas novas tecnologias, que oferecem uma vasta panóplia de modalidades, jogos e competições virtuais.

Para exacerbar esta situação de sedentarismo cultural, surgiu uma pandemia que nos fechou em casa e afastou de atividades e práticas mais ativas, privando-nos da escola ou dos locais de trabalho e de lazer, os únicos que obrigam a algum exercício físico ou a socializar.

Enquanto treinador de Karate, com praticantes dos 4 aos 60 anos, verifiquei que as sequelas mais evidentes da pandemia, para olhos focados apenas no “visível”, foram ao nível do peso e das habilidades motoras, um aumentando e as outras diminuindo.

Contudo, no papel de formadores de crianças não nos podemos concentrar apenas na performance física, sendo cada vez mais importante avaliar o estado mental. Atualmente, os jovens que nos chegam, apresentam, acima de tudo, problemas de confiança, de socialização e de disciplina (disciplina no âmbito da concentração e não apenas relativa ao comportamento). Muito do nosso trabalho envolve ganhos na autoestima, na concentração e na relação com os pares.

Quando a atividade foi retomada após os confinamentos, à medida que iam chegando praticantes a conta-gotas, fomos confrontados por uma nova e chocante realidade: poucos meses deitaram por terra todo um trabalho que vinha a ser desenvolvido há largo tempo. Nestas circunstâncias, quanto mais tempo de ausência, mais difícil tem sido a recuperação dos níveis anteriores à pandemia.

Sejam adultos ou crianças, quem manteve algum tipo de atividade física regular durante este período atenuou o aumento da ansiedade, das inseguranças, da desmotivação, conseguindo lidar com maior resiliência as contrariedades da pandemia.

Dando como exemplo a minha experiência pessoal como profissional na área da saúde, reconheço que a continuidade da prática desportiva nos meses de confinamento foi imprescindível na gestão do stress e da concentração que os momentos de maior pressão exigiram.

O exercício físico é, como já se defendia na Grécia clássica, fundamental para alcançar a harmonia entre o corpo e a mente. Assim, os condicionalismos impostos pelas restrições deste tempo que (não) vivemos, acarretaram, acarretam e acarretarão, a este nível, marcas e prejuízos dificilmente recuperáveis.

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