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Preço, para que te quero!

Opinião de Jorge Pinheiro, empresário.

O sistema económico é composto por 6 pilares fundamentais, o Estado, as empresas, os trabalhadores, os credores, os fornecedores e os consumidores. Estes em conformidade com a oferta e a procura de matérias-primas, produtos acabados e ou mão de obra regulam o sistema económico, fazendo aumentar ou diminuir o preço das coisas. Todos nós como compradores ou consumidores acabamos por ter extrema influência no preço dos bens e serviços.

Importa referir que o papel das instituições e das organizações é fundamental para que exista um equilíbrio na balança comercial e nos bens transacionados, onde o Estado deve ter um desempenho importante. Mas será que interessa ao Estado “regular” o valor ou o preço dos produtos quando estes estão em alta? Se pensarmos numa ótica de maior receita fiscal e maior rotação de valores monetários, provavelmente não. Mas, se pensarmos numa ótica em que o valor é tão elevado, em que as pessoas não podem comprar, inevitavelmente todo o sistema económico-financeiro entre em rutura, aqui provavelmente sim, vai querer regular. Não sendo tarefa fácil a regulação do mercado, nem saber com exatidão para onde este caminhará, eu acredito que sim.

Hoje, fruto da crise pandémica Covid-19, dos consequentes e diversos confinamentos, estamos a viver tempos conturbados, com os preços a dispararem dia-a-dia, muitas vezes acima dos 50% em alguns setores, isto acontece porque existe uma crescente procura, para a oferta que dispomos. Factualmente as empresas estiveram paradas em determinados períodos e não foi acautelada a reposição de stocks pelos distribuidores, dadas as incertezas do mercado, o que gera agora uma procura superior à oferta.

A escassez de matéria-prima leva à consequente falha de produtos, assim como, também se verifica falta de mão de obra qualificada, em alguns setores primordiais para o desenvolvimento da economia e da vida quotidiana, já que as pessoas procuraram novos trabalhos, para terem outra estabilidade financeira.

Ora se há poucos meses as empresas e os seus gestores pensavam que lhes iriam faltar clientes, para vender o seu produto e ou até mesmo o aplicarem, erraram nas projeções, pois, os clientes e ou consumidores, desenvolveram novas técnicas e tendências de compra. E porquê?

Se outrora o mercado era nada mais, nada menos, do que a interação humana de troca de bens e serviços, em que os agentes económicos se concentravam em espaços físicos, onde o comprador de deslocava para ir ao encontro do produto. Hoje, já não é bem assim. As novas tendências e hábitos de compra e de consumo estão em franca mudança e vieram para ficar, verificamos agora que o produto vai ao encontro do seu destinatário. Fruto disso mesmo é o desenvolvimento do on-line, dos novos métodos e meios de pagamento, assim como a resposta muito mais eficaz dos canais de distribuição e de transporte. Deve então agora o velho continente reter o seu conhecimento e o Know-how, para se fazer cá, aquilo que estamos a comprar fora e para onde transferimos o saber fazer, uma vez que, nem sempre o “preço” compensa o risco e é o melhor remédio.

Perante a “Lei do Valor”, teoria citada por Preobranjenski, economista soviético, onde diz: “numa sociedade que não possui centros diretores de uma regulação planificada, chega-se, graças à ação direta ou indireta desta lei, a tudo que é necessário para um funcionamento relativamente normal de todo o sistema de produção”, isto leva-nos a pensar que podemos estar, hoje, numa economia e mercado desregulados, que em nada beneficiam o comprador ou o consumidor, muito menos protege a nossa sobrevivência.

Entramos agora a todo o vapor para uma “economia circular”, assentando esta em 4 eixos e num conceito estratégico de redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, o que pressupõe que a economia linear vá ser praticamente abolida, originando a um decréscimo no consumo económico e também no consumo de recursos, o que até há bem pouco tempo parecia inexorável.

Mas esta economia é muito mais do que a gestão de resíduos e de reciclagem, é no fundo uma reconfiguração de produtos, processos e novos modelos de negócio, até à otimização de produtos e serviços economicamente viáveis e ecologicamente eficientes, materializando-se na minimização da extração de recursos e na maximização da reutilização, aumentando a eficácia e a eficiência do desenvolvimento de novos negócios e consequente aparecimento de novas profissões e profissionais, que originará naturalmente ao desaparecimento de muitas outras.

Em jeito de conclusão, permitam-me que deixe aqui a minha opinião pessoal, assente em tendências e factos que vão ocorrendo.

Almejo sinceramente que os empresários e gestores, imbuídos de um espírito cuidadoso e vigilante, naturalmente apoiados e concertados com as suas equipas, consigam antes de tudo, gerar estratégias bem delineadas e pôr em prática uma reorganização, que se torna urgente, por forma a que consigamos, todos, uma excelente adaptação nas organizações e que possamos atingir os objetivos traçados para o futuro. Para isso, devemos naturalmente ter em conta que o maior ativo das organizações são as pessoas e que o principal foco deva ser a preservação dos postos de trabalho e das suas estruturas, genuinamente ancorados por práticas sustentáveis geradoras de recursos financeiros para a sua continuidade.

Não esquecer que só existem empresas, porque existe o empresário, o funcionário, o cliente e ou consumidor, o fornecedor, o credor e o Estado. A empresa é somente a emissora da fatura, nada mais é do que isto, a emissora da fatura.


Opinião de Jorge Pinheiro, empresário.

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